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RepowEm fevereiro, o curitibano Repow conversou comigo pra matéria “Tá tranquilo e tá favorável pro funk carioca se misturar com a EDM brasileira”, na qual analisamos como o controverso estilo dedance music mais genuinamente brazuca estava buscando um espaço na cultura clubber, ao mesmo tempo em que sofria uma enorme resistência e muito preconceito. Ele foi um dos primeiros nomes da EDM no país a abrir espaço pro funk e buscar essa mistura — segundo ele, muito antes de gringos como Hardwell o fazerem —, numa tentativa de quebrar barreiras.

Nos últimos dias, porém, o rapaz se destacou negativamente. Depois de uma gig não lá muito bem sucedida no GARDEN Music Festival, em Gravataí, no Rio Grande do Sul — na qual o DJ teria sido vaiado ao tocar seu remix de “Baile de Favela” —, o Repow publicou, através da sua conta pessoal, uma crítica ao público gaúcho.

repow declaracao

“Brother, o público do Rio Grande do Sul é o pior que existe no Brasil.”

Obviamente não ia pegar bem. Em tempos de redes sociais, qualquer passo em falso se transforma numa bola de neve que se volta contra você. Quanto maior a crítica generalista a determinado núcleo de pessoas lançada ao ar por uma pessoa pública, mais ela está ferrada — lembra até,guardadas as devidas proporções, o caso do Ten Walls, que falou um monte de chorume sobre os homossexuais e está até hoje tentando reerguer a carreira. No Facebook, pipocaram dezenas e mais dezenas de posts detonando o Repow, alguns mais construtivos e comedidos, outros espumantes de ódio e preconceito contra, pra variar, o funk carioca.

edgar branco

mac

do santos

Pierre

bruno be

Fran Bortolosi

“Achei [a declaração do Repow] um desrespeito fodido. Ele generalizou um Estado por causa de uma apresentação frustrada”, disse o DJ gaúcho Fran Bortolossi, produtor da Colours e bff doKolombo. “Encontrei ele num voo uma vez e ele me disse que o RS era onde ele mais tocava. Eu acho que a turma que iria trazer ele deve cancelar aqui. Pegou muito mal pro público, né? Ainda mais que gaúcho é bairrista. E sinceramente, se ele tá infeliz, acho bom que ele dê espaço pra outros”, concluiu o Fran.

Outro DJ e produtor gaúcho, o Daniel Forster concorda que a pisada na bola foi grande, mas contemporiza: “A vaia era prevista, ainda mais aqui no Sul onde a galera tem mais resistência em aceitar audácias dessa natureza [tocar funk]. A real é que o RS é um ambiente que resiste muito a mudanças”, disse. “Achei antiprofissional da parte do Repow ter feito aquela postagem, no calor da emoção, mas também acho um desrespeito vaiar artista, seja ele quem for. Vaiar é uma agressão quase inadmissível, e entendo o lado dele ter ficado chateado e atirado contra o público. Por isso eu ressalto a importância de pensar bem nossas palavras em situações como essa.”

Ideia semelhante é pregada por nomes como Everson K, da Academia de Marketing pra DJs, e seu parceiro Felippe Senne, que se manifestaram sobre a importância de se ter um manager ou um preparo profissional pra saber lidar com esse tipo de situação.

Felipe Senne

“Não seja mais um artista talentoso a morrer pela boca!”

O Repow deve aparecer em breve com um pedido de desculpas. Obviamente tentamos também o contato com ele, mas não tivemos resposta até o momento desta publicação.

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